Friday, January 04, 2008

Arquitectar o Ambiente - LABICER

“Arquitectar o Ambiente”

NEED
EDEN

Regrar o território é um desejo intemporal do Homem.
Desde cedo deixámos uma “pegada” tectónica na paisagem, procurando estruturar um espaço cuja escala teimava em fugir ao nosso controlo.
Subvertendo esta lógica, imaginei um ambiente dotado de capacidades generativas não biológicas, próprias de processos abstractos de criação intrínsecos ao Homem.

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Conceptualmente, entendi o ambiente como um hipotético contexto natural, cenário primeiro da ocupação humana, ponto de partida do gesto arquitectónico, “território” em sentido lato.
A este vazio formal atribuí uma código genético assente num módulo primordial – a placa VITRAKEM 60x150 - célula estaminal deste mundo que se autoconstrói, revelando os elementos que o constituem como emanações de si próprio.

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O volume proposto é uma formação espontânea vinculada às regras do seu ADN. Como um conjunto arbustivo, com os seus elementos - cheios, vazios, espaços intersticiais - sujeitos a uma lógica arquitectónica e “degenerando” em paredes, vãos, bancos, rampas...
Paradoxalmente, o ambiente arquitecta o(s) objecto(s).
O ambiente “arquitecta-se”.

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O material VITRAKEM B [Be] incorpora a imagem de um relvado por ser o paradigma de um ambiente “natural” manipulado pelo Homem, em que a Natureza (relva) é submetida a um processo de manutenção contranatura do qual depende a sua sobrevivência. Cristalizando essa imagem, o ambiente reforça a sua independência da intervenção humana, ironicamente baseada na representação de uma realidade humanizada.
Graficamente, constitui-se como uma textura padronizável no mesmo módulo - a placa VITRAKEM 60x150 – introduzindo o tema da relação entre a Parte e o Todo no âmbito da solução proposta. Cada “célula” encerra em si o Todo e, simultaneamente, o Todo traduz simbolicamente a célula.

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Baptizei-o de NEED, acrónimo de EDEN, por lhe serem reconhecíveis algumas das qualidades do paraíso bíblico e pela subversão das regras que orientou a sua criação.
E, talvez, por uma inconfessada necessidade (need) de encontrarmos o nosso paraíso (éden).

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